Não cabe mais, a nós professores, estarmos preocupados apenas no repasse de conhecimentos teóricos, regras e conceitos dissociados da realidade do aluno, daquilo que ele vivencia. É possível fazer uma educação voltada para a socialização do cotidiano de nossos alunos, de forma que eles sintam prazer naquilo que aprendem, porque está perto da realidade deles, é palpável, faz sentido. É nessa perspectiva de valorização que se pensou em trabalhar uma cultura letrada, voltada ao resgate de determinados valores, que de certa forma foram adormecidos pelo avanço tecnológico e todo aparato que a modernização e globalização proporcionam e impulsionam em nossa sociedade e, portanto, na vida de nossos alunos. Há uma perca de identidade. As crianças da roça, do “sítio”, são realmente da roça? Pertencem a esse meio cultural? Sabem amarrar uma cabra? Executar ações simples que toda criança da roça sabia há alguns anos? Se não sabem, são crianças urbanizadas? Saberia viver bem no meio urbano? Esses foram os questionamentos de um professor da zona rural, quando resolveu levar seus alunos a fazer a experiência de amarrar uma cabra e, para sua surpresa, as crianças não sabiam, embora isso fosse uma atividade corriqueira de quem vive no campo.
Uma escola não pode ficar estática a situações como essa, e, começamos trabalhar com gêneros e textos que retratassem a cultura nordestina, resgatando com isso, nossas raízes, a exemplo da Literatura de Cordel e outros objetos que passaram a ser coletados no meio rural e urbano, pelos professores e alunos envolvidos no projeto e mostrados posteriormente na II Exposição de Educação, Cultura e Arte da E.M.E.F. “Menino Jesus”, no município de Riachão-PB.
Não precisa fazer muito. Só precisa fazer a nossa parte, com acréscimo de boa vontade, disposição e acreditar que nem tudo está perdido. Isso é suficiente pra fazer uma educação diferente. Viver uma educação diferente. Tudo é prática, tudo é AÇÃO.
Por, Marleide Lima
(Professora de Língua Portuguesa)
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